Revista
Veja, 03 de Julho de 2002
A força
do Senhor
O
crescimento da fé evangélica
está mudando o Brasil dos esportes
à política, das favelas aos bairros
chiques, dos presídios à televisão
José
Edward
Fotos Nelio Rodrigues

O
evento Sermão da Montanha, em Belo Horizonte: mais de 100
000 fiéis celebram a Sexta-Feira da Paixão |

Veja também |
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país
mais católico do mundo está ficando cada vez mais evangélico. O
resultado do censo demográfico no quesito religião, divulgado
neste ano, mostra que mais de 15% dos brasileiros – um rebanho de
26 milhões de pessoas – são protestantes. É um porcentual cinco
vezes maior que em 1940 e o dobro do de 1980. Em Estados como Rio de
Janeiro e Goiás, o índice supera 20% dos habitantes. No Espírito
Santo e em Rondônia, os evangélicos passam de um quarto da população.
Esse ritmo indica que metade dos brasileiros poderiam estar
convertidos em cinco décadas – um tempo mínimo quando se fala em
avanço religioso.
As
conseqüências desse crescimento são muitas. Apenas como sinais
das alterações a que esse fenômeno pode levar no perfil das famílias
brasileiras, vale citar que os evangélicos, mesmo entre os menos
escolarizados, têm menor número de filhos que seus vizinhos de
outras religiões. Três quartos das mulheres evangélicas casadas
usam contraceptivos. Quase 90% dos adeptos de igrejas evangélicas
acreditam que a moral sexual do homem e da mulher deve ser igual, e
65% deles preferem casar-se com algum irmão de fé.
Ao
contrário do que acontece com os católicos brasileiros, cuja maior
parte nasce dentro da religião mas na maioria dos casos não a
segue completamente, os evangélicos levam a prática da fé a sério.
Para começar, muitos evangélicos são convertidos – ou seja,
escolheram aderir a uma religião por conta própria. Por isso,
tendem a se tornar militantes da causa, envolvendo-se nos cultos e
nas atividades comunitárias desenvolvidas em torno dos templos que
freqüentam. Segundo dados do Instituto Superior de Estudos da
Religião (Iser), 80% dos evangélicos dizem participar das cerimônias
e das obras sociais com regularidade – uma porcentagem quatro
vezes maior que no rebanho católico.
As
religiões cristãs não-católicas, como as evangélicas, têm sua
origem no começo do século XVI, quando um monge alemão chamado
Martinho Lutero se insurgiu contra Roma. No ano de 1517, revoltado
com a venda de indulgências pelo papa, Lutero escreveu suas famosas
95 teses, que pregou na porta da catedral de Wittenberg. Foi o
estopim da Reforma Protestante, que se tornaria uma das mais
profundas transformações sociais da história humana. Com o tempo,
do tronco protestante antipapal foram brotando dezenas de denominações.
A mais importante dessas subdivisões, a do pentecostalismo, criada
pelo pregador negro americano William Joseph Seymour, foi uma explosão
de fé. Hoje há mais pentecostais no mundo do que anglicanos,
batistas, luteranos e presbiterianos somados.
Ao
proliferarem em todas as camadas sociais, os evangélicos estão
produzindo mudanças facilmente detectáveis. A mais visível delas
acontece em público. Neste ano, o mais retumbante evento da Semana
Santa, o Sermão da Montanha, aconteceu numa praça de nome católico,
a Praça do Papa, em Belo Horizonte, mas foi liderado por evangélicos.
Cerca de 100.000 protestantes de ramos diversos ali apresentaram ao
Brasil um refrão que sinaliza os novos tempos: "Um, dois, três,
quatro, cinco, mil, queremos um evangélico presidente do
Brasil". Circunstancialmente, foi o presbiteriano Anthony
Garotinho, de 42 anos, quem se apresentou como candidato a esses
votos. Poderia ser, também, a nova governadora do Rio, a petista
Benedita da Silva, fiel da Assembléia de Deus e sucessora de
Garotinho no Palácio Laranjeiras. O relevante é que a comunidade
protestante se sente forte o suficiente para ter um candidato a
presidente.

Assíria
Nascimento: a mulher de Pelé é uma estrela da música
gospel |
Nos
campos de futebol, a imagem de jogadores mostrando camisetas com
mensagens cristãs é a parte espetaculosa de uma mudança profunda
nos treinos e nas concentrações. "O ambiente esportivo
tornou-se menos hostil depois do aparecimento dos Atletas de
Cristo", diz o secretário-geral da entidade, o ex-piloto de
corridas de automóvel Alex Dias Ribeiro. Isso quer dizer que muitos
já não participam de brincadeiras machistas e degradantes
envolvendo colegas, não se acabam em noitadas na véspera dos jogos
e até evitam xingar os juízes. A Associação dos Atletas de
Cristo já tem 10.000 inscritos e o time revelação dos últimos
anos, o São Caetano, exibe-se com metade da equipe vestindo a
camisa de Jesus por baixo do uniforme azul. "Geralmente, esses
jogadores são mais educados e têm posturas mais positivas",
compara o ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol Carlos
Alberto Parreira.
Em
todas as variantes do protestantismo, é missão do fiel e de seu
pastor espalhar a palavra do Senhor. Em resumo, ele deve converter
seu semelhante. Na maioria dos casos, quanto pior o currículo ético
desse semelhante, maior será o esforço para salvá-lo. Em
ambientes nos limites da conduta moral, fica mais claro o poder
transformador dessa ação. Na Casa de Detenção de São Paulo,
onde havia 7.600 presos até o início da desativação, há seis
meses, um quinto dos presos era evangélico, a maior parte deles
convertida na própria cadeia. A conversão dava o privilégio de
viver num pavilhão dos menos tumultuados, num mundo diferente do
resto da cadeia. Entre esses homens, nenhum jamais se envolveu com
drogas, agressões ou crimes dentro da prisão. Recebiam também
mais visitas, interessavam-se pelo mundo exterior, faziam planos
para o futuro e tinham mais chance de obter apoio, pelas
comunidades, ao deixar a detenção. "Até no asseio pessoal e
na arrumação das celas eles se comportavam melhor", diz o
diretor da Casa de Detenção, Jesus Ross Martins, coincidentemente
pastor presbiteriano.
A
simplicidade facilita a evangelização. Enquanto os católicos
fazem cerimônias aos santos, estão sempre sob a mediação dos
padres para conversar com Deus até na hora de se confessar e
desconhecem os códigos que regem a burocracia de sua igreja, os
protestantes são estimulados a falar diretamente com o Senhor e
podem usufruir as recompensas por sua fé enquanto vivem, em vez de
sofrer calados e esperar a morte para conferir se têm direito ao
paraíso. No discurso da maioria dos protestantes, a insegurança, a
droga, o alcoolismo, a infidelidade, a vida indigna, o desrespeito,
a miséria e todos os eventos ruins que podem atingir uma pessoa
compõem as faces diversas de um inferno que se experimenta na
terra. Numa troca simples, a igreja evangélica propõe que sua
ovelha se afaste do mal e siga um código duro de conduta,
oferecendo em troca apoio e reconhecimento por seu sucesso na
empreitada. "Num momento, o sujeito se sente desamparado e, no
outro, está num ambiente de fraternidade, solidariedade, comunidade
e dignidade", diz o sociólogo Alexandre Brasil Fonseca, autor
do livro Evangélicos e Mídia no Brasil. "É fácil
entender por que os novos evangélicos se entusiasmam."
Ana Araujo

Evento
evangélico para crianças e adolescentes: linguagem
simples, para novos fiéis |
Esse
entusiasmo gera dinheiro, na forma de dízimo, e esse dinheiro, ao
se transferir para a mão de pastores que vêem a religião como um
negócio, tem gerado tanto o crescimento de muitas denominações
quanto maracutaias, denúncias e investigações. Há igrejas que,
sem hipocrisia, chamam seus fiéis de associados. Um dos ramos evangélicos
criou até um dízimo superfaturado: o fiel deve dar antecipadamente
10% do valor que pretende alcançar como uma graça do Senhor, e não
daquilo que efetivamente recebe. O boom das chamadas igrejas
neopentecostais coincide com o aumento das denúncias contra
pastores evangélicos. O caso mais notório é o do bispo Edir
Macedo, fundador da bilionária Igreja Universal do Reino de Deus.
Para erguer seu império, Macedo vendeu até cornetas de torcida
organizada como se fossem instrumento divino para derrubar as
Muralhas de Jericó. Em dezembro de 1995, teve-se conhecimento de um
vídeo em que ele aparece em meio a uma montanha de dólares,
ensinando a seus pastores técnicas para aumentar a arrecadação.
As
acusações mais freqüentes contra pastores evangélicos tratam de
estelionato e crimes fiscais. Três anos atrás, o Ministério Público
do Paraná denunciou o pastor David Miranda, fundador da Deus É
Amor, por evasão de divisas. A Igreja Renascer em Cristo enfrenta
mais de cinqüenta processos movidos por ex-fiéis. Seus fundadores,
o apóstolo Estevam Hernandes e a bispa Sonia Hernandes, são
acusados de dar um calote de 12 milhões de reais. Outro encrencado
na praça é o pastor e deputado federal Francisco Silva, dono de
emissora de rádio e um dos principais apoiadores do candidato do
PSB à Presidência, Anthony Garotinho. Deputados estaduais do Rio
de Janeiro o acusam de ter recebido propinas quando era secretário
estadual de Habitação. Como em todos os grupos humanos, há pecado
também entre os evangélicos. Mas a grande maioria deles é
constituída de pessoas não apenas honestas, mas honestas acima da
média.
As
igrejas evangélicas, sobretudo as do chamado ramo pentecostal,
penetram com enorme velocidade e sem nenhuma burocracia nas
comunidades carentes e oferecem um modelo ético em regiões que as
autoridades esqueceram e às quais a polícia leva mais medo que
segurança. No livro O Rio de Todos os Brasis (Editora
Record, 2000), o economista Carlos Lessa, reitor eleito da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirma que as igrejas evangélicas
contribuem para a criação de uma nova ética, que trará reflexos
positivos para o país. "Os crentes não transigem quanto às
regras e aprendem a cobrá-las de si e dos irmãos", ele
escreve. Pôr um terno para freqüentar o culto, levar uma Bíblia
embaixo do braço e ser visto como um modelo de honestidade, para
esses crentes pobres, é alcançar pelo menos um pedaço do paraíso
da cidadania.
Um
terço dos adolescentes envolvidos no tráfico de drogas se diz
evangélico. É o tipo da descoberta que mostra quanto os pastores
mergulham fundo nas comunidades carentes. "A maioria desses
jovens encontrou uma melhora de vida na igreja. Pelo menos eles
tiveram contato com disciplina", diz o sociólogo Ricardo
Mariano, autor do livro Neo-Pentecostais – Sociologia do Novo
Pentecostalismo no Brasil.
Carla Romero/Valor

Culto
da Igreja Renascer em Cristo, em São Paulo: com um show de
efeitos especiais |
Mas
o modelo não se aplica somente aos pobres. Na própria raiz o
protestantismo possui a fórmula para pacificar o espírito de quem
tem ou persegue a riqueza – numa contraposição à máxima católica
de que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que
um rico entrar no reino dos céus. Lucrar é legítimo, e a fortuna
recompensa quem mais trabalha, reza a inspiração protestante. O
pensador alemão Max Weber formulou as bases dessa tese no início
do século XX. Várias igrejas evangélicas têm departamentos para
atrair gente rica ou famosa. A quantidade de colunáveis convertidos
mostra que a estratégia é um sucesso. A ex-modelo Monique Evans,
que foi capa de várias revistas masculinas, integra o quadro da
igreja chique Sara Nossa Terra. A igreja Vida Nova, de São Paulo,
é freqüentada por Íris Abravanel, mulher do homem do SBT, Silvio
Santos, e por suas quatro filhas. "Igreja não é só para
pobre e ignorante", diz a pastora e primeira-dama da igreja,
Ivonne Muniz.
Essas
igrejas oferecem espaço a quem quer rezar num templo sem ouvir
condenações sumárias ao capitalismo, como ocorre em certas paróquias
católicas. Um dos templos da Renascer em Cristo, em São Paulo,
dedica o culto das segundas-feiras aos integrantes da Associação
Renascer de Empresários e Profissionais Evangélicos (Arepe). O
economista e empresário paulista Ricardo Abbud, de 48 anos, sócio
de uma construtora que fatura 500 milhões de reais por ano, é um
dos freqüentadores. Na hora de fazer negócios e realizar contratações,
Abbud tem preferência por seus irmãos de fé, porque os considera
mais éticos e confiáveis. Outra entidade, a Associação de Homens
de Negócios do Evangelho Pleno (Adhonep) – com 25.000 filiados no
país –, se diz adepta da chamada Teologia da Prosperidade,
segundo a qual Deus recompensa fartamente quem mais contribui com
sua igreja. Já existe até uma revista, a Consumidor Cristão,
com tiragem de 20.000 exemplares, lida por evangélicos e recheada
de anúncios com linguagem e até produtos específicos para esse público.
Somando
tudo – de CDs a bares e instituições de ensino –, o mercado
impulsionado pelos protestantes movimenta 3 bilhões de reais por
ano e gera pelo menos 2 milhões de empregos. Na área da mídia
eletrônica, há um verdadeiro império evangélico país afora.
Existem mais de 300 emissoras de rádio evangélicas no Brasil,
centenas de sites e pastores dando plantão on-line, na internet.
Uma grande máquina televisiva cumpre também uma extraordinária
missão arrecadadora. Não por acaso, a Universal – dona da
terceira rede de TV do Brasil, a Record – é a igreja que mais
recolhe doações acima dos 10% do dízimo convencional. O rádio e
a TV servem ainda de canal para a transmissão de modelos culturais
e de comportamento. Aline Barros, uma cantora de 25 anos, pode ser
um nome desconhecido para quem acompanha as paradas de sucesso. Mas
já vendeu mais de 1 milhão de CDs de música pop evangélica.
Cassiane, com 3 milhões de discos vendidos, é outra grande estrela
do gênero. A banda de rock pauleira Oficina G3 ultrapassou os
limites da igreja, apresentado-se no último Rock in Rio.
Claudio Rossi

Loja
de produtos evangélicos em São Paulo: um mercado bilionário |
Na
política, os evangélicos são um trator. Anthony Garotinho é só
a figura mais ambiciosa entre eles. A bancada evangélica, com mais
de cinqüenta parlamentares na Câmara Federal, é unida e atua
muito além das barreiras partidárias nas questões relacionadas a
costumes ou a interesses da fraternidade crente. Uma das razões
para o PL ser cortejado pelo presidenciável petista Luís Inácio
Lula da Silva é o fato de o partido ter enorme rebanho ligado à
Igreja Universal do Reino de Deus. Enquanto os bispos da Diocese do
Piauí baixavam no início do ano uma proibição à candidatura de
seus padres a cargos políticos, igrejas protestantes do Brasil
inteiro já estavam em ebulição com as preliminares do próximo
processo eleitoral. Se o terreno para as conquistas é o Parlamento,
nada mais natural para os evangélicos do que ir até lá pegar seu
quinhão.
Há
também grande investimento em educação. A média de leitura dos
evangélicos brasileiros gira em torno de seis livros por ano – o
dobro da média nacional. As denominações evangélicas administram
quase 1.000 escolas no Brasil, com uma clientela de 740 000 alunos.
"Os fundamentos do movimento protestante pregam a moralização
do indivíduo e o desenvolvimento de uma ética de responsabilidade
social", diz Almir de Souza Maia, reitor da Universidade
Metodista de Piracicaba e presidente da Associação Brasileira de
Instituições Educacionais Evangélicas. No tradicional ensino católico,
o que se vê é encolhimento. A CNBB divulgou recentemente que 130
escolas católicas de ensino fundamental e médio fecharam as portas
nos últimos cinco anos.
Paradoxalmente,
o que mais mudou no Brasil com o crescimento da legião evangélica
foi a Igreja Católica. De um lado, surgiu a Renovação Carismática,
para revigorar os aspectos místicos e milagrosos da fé. De outro,
os padres-cantores saíram atrás de fiéis e compradores de CDs. Na
mídia, a Igreja fincou uma bandeira em tempo recorde, criando a
Rede Vida de rádio e TV, que cobre todo o território nacional. Os
resultados, porém, estão longe do esperado. Os católicos falam em
crise de vocações. Há sete vezes mais pastores protestantes
atuando no Brasil que padres, e na maioria das denominações mais
recentes esses ministros são formados em apenas alguns meses.
"Muitos logo acabam fundando a própria igreja e aumentando o
poder dos evangélicos", diz o teólogo jesuíta João Batista
Libânio. Na prática, eles seguem aquele famoso incentivo:
"Crescei e multiplicai-vos".
Ana Paula Paiva
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Gisele Fraga,
32 anos, atriz
Os
pais, ambos já falecidos, eram evangélicos – a mãe
presbiteriana e o pai batista. Ela se afastou da religião
na juventude e diz ter cometido muitos erros na ânsia de
"curtir a vida". Separada e sem filhos, afirma que
a fé a deixou pronta para procurar um homem digno e para
lutar pela realização profissional como atriz, já que está
com dificuldades para conseguir trabalho. Conta ter sido
tocada pelo Evangelho durante uma viagem com amigos à
Espanha, em 1998. Estava hospedada na mesma casa que Monique
Evans e ficou intrigada com o interesse da amiga pela Bíblia.
Na volta ao Brasil, foi levada por Monique à igreja. Hoje,
vai aos cultos da Sara Nossa Terra aos domingos e durante a
semana participa das "células", grupos que se reúnem
na casa de um irmão de fé para discutir o Evangelho.
Rogério Voltan
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Íris Abravanel,
54 anos, mulher do apresentador Silvio Santos
Freqüenta
a igreja Vida Nova, conhecida por reunir socialites de São
Paulo. De formação católica, ingressou em 1998 em um
grupo de estudos bíblicos e levou as quatro filhas. Hoje,
depois de passarem pela Renascer em Cristo, todas pertencem
à mesma igreja. Uma das filhas, Patrícia Abravanel, fez um
discurso religioso após ter sido seqüestrada, no ano
passado. A fé de Íris provocou desentendimentos com o
marido, que segue o judaísmo.
Ricardo Stuckert
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Iris Rezende,
68 anos, senador
Nasceu
em um lar evangélico. Os avós e os pais se converteram
depois da chegada de missionários ingleses a Goiás no
final do século XIX. Rezende pertence à Igreja Cristã
Evangélica, fundada há 100 anos. Nasceu em Cristianópolis,
cidade originada de um povoado fundado por evangélicos que
fugiam de perseguições religiosas. Era o caso de seus avós,
que antes moravam em Caldas Novas. Cultiva sua fé em família,
mas o filho mais velho quis ser católico. A mulher do
senador, que também se chama Iris, foi educada em colégio
de freiras, mas se converteu à igreja do marido depois do
casamento.
Fernando Martinho
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Dedé Santana,
66 anos, humorista
Criado
na igreja católica, passou também pelo kardecismo, mas diz
que, apesar da fama e do dinheiro, vivia deprimido e sentia
um "vazio existencial". Desde que se tornou evangélico,
há oito anos, transformou-se em verdadeiro globetrotter da
causa. Já percorreu quase mil cidades para levar a palavra
de Deus. Converteu-se após ter sido visitado por pastores
em um hospital, onde estava tratando de problemas cardíacos.
Os pastores foram levados por seu filho Átila, que consumia
drogas e largou o vício depois de entrar para os Atletas de
Cristo. Hoje, Dedé integra a Sara Nossa Terra.
Rodolfo
Abrantes, 29 anos,
cantor e compositor, ex-vocalista dos
Raimundos
De
formação católica, consumia drogas desde os 13 anos com
freqüência diária. No ano passado, foi levado pela noiva,
filha de evangélicos, à Sara Nossa Terra. Diz ter havido
uma "revelação" logo na primeira vez em que
participou do culto. Abandonou as drogas e as letras
mundanas dos Raimundos (para revolta dos fãs, que culpam a
igreja pelo fim do grupo). Lançou a banda Rodox, que faz
canções de louvor a Deus. Tatuou a frase "Obrigado,
Senhor" na nuca e hoje freqüenta a igreja Cristo é
Vida.
Bezerra
da Silva,
75 anos, cantor e compositor
Um
dos maiores símbolos da malandragem carioca, foi batizado
na Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Macedo, em
março deste ano. Garante que não vai renegar as antigas
canções, mesmo as que falam de boemia e da vida mundana.
"Deus não quer que a gente largue o ganha-pão",
diz. Faz planos, no entanto, de produzir um disco com sambas
evangélicos pela gravadora Line Records, pertencente à
Igreja Universal.
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Com
reportagem de
Maurício Oliveira e Neide Oliveira
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