Crianças norte americanas brincam de serem
magos: iniciação inconsciente ao mundo dos demônios
Luiz Cláudio Montanini
Como é próprio dos espíritos de engano, este chegou de forma
sutil e aparentemente inofensiva. Lembra a história do homem que
encontrou um ovo na rua, levou-o para casa acreditando que fosse de
um belo pássaro, colocou-o em incubadeira e quando o filhote
nasceu, descobriu que era uma serpente venenosa. Mas, ao invés de
meter-lhe uma paulada na cabeça, o cidadão viu até alguma beleza
no bichinho e foi criando-o, a ponto de se acostumar com a peçonha.
Acabou envolvido e dominado pela serpente e morreu vítima de seu
veneno.
É o que tem acontecido com a bruxaria no mundo. Há trinta anos,
uma simpática feiticeira loura apareceu nas emissoras de tevê
mundiais. No seriado “A Feiticeira”, a loirinha não tinha
verrugas e tampouco voava em vassouras. Era inteligente e bonita.
Num leve movimento de ponta de nariz transformava mulheres rivais em
rãs ou homens grosseiros em criados gentis. Quem iria atribuir o
mal a alguém tão inofensivo?
Ao longo das últimas décadas, desenhos animados foram surgindo —
produzidos na maioria nos estúdios americanos de Walt Disney. Gibis
foram aparecendo e cruelas cruéis e magas patalógicas ganharam
espaço. Reinos encantados saíram das pranchetas e espelhos mágicos
sugeriam que a beleza era objeto de desejo, mesmo que para alcançá-la
fosse necessário fazer uso da bruxaria e encantar belas
adormecidas. A televisão transformou o planeta e principalmente as
crianças em reféns da imagem e do som e o mundo voltou às fábulas.
Os educadores começaram a se preocupar. Como seria o mundo futuro
se as crianças viviam como que hiptonizadas e passivas diante da
Tevê? E, o que era pior, sem poder contar com a ajuda dos pais, da
mesma forma escravizados pela imagem da besta.
A solução chegou também sutil e num repente. E foi literalmente
um anjo caído do céu quem a apresentou: em livros. Não era isto
que a humanidade queria? Tirar as crianças da TV e devolvê-las aos
livros, o maior ícone cultural de toda a civilização?
As crianças precisavam voltar aos livros, não era essa a
prioridade? Que voltassem a ler. Não importava que contivessem
versos satânicos que as convidasse para entregar a alma ao Dragão,
a antiga serpente, que é Satanás. Não importava que seu conteúdo
ensinasse crianças a amaldiçoar a Deus e desejar o poder das
trevas. Afinal, livro é cultura.
Cenário pronto, com a geração dos pais ainda como que hipnotizada
pela piscadela da feiticeira Samantha do seriado em preto e branco,
bastava encher as prateleiras das livrarias do cosmo.
Terra em transe
Como se ainda estivesse em transe, a geração atual de pais não
ofereceria qualquer resistência à entrada em suas casas de um
completo manual de bruxaria, de acabamento de luxo e nome
aparentemente inocente, com aventuras protagonizadas por um
adolescente também aparentemente inocente e que usa óculospara
grau forte: Harry Potter. Travestido de livro, a série é um curso
completo de iniciação às profundezas de Satanás. E põe
profundeza nisso.
Como disse alguém, o diabo é mau, não burro. Ele jamais chegaria
exalando enxofre e de chifres à mostra — se é que os tem. O
raciocínio do Demo é mesmo diabólico. Ele está mesmo
endemoninhado. Quem, em sã consciência, iria impedir que crianças
tenham acesso a uma fonte de saber fundamental como o livro? Afinal,
esta série conseguiu fazer o que parecia impossível: tirar crianças
da frente da Tevê, a babá eletrônica.
Os anjinhos passaram a adquirir o gosto pela leitura. Isto é
maravilhoso. Estão lendo, é o que importa.
O que estão lendo não faz qualquer diferença... Assim como não
faz diferença o que estão vendo ainda hoje em suas tevês
particulares, nos quartos. Filhos de crentes trancados no quarto,
ligados no canal que querem, e até a hora em que desejarem. Ora,
pais, deixem de ser caretas..., dizem as más línguas.
Da teoria para a prática
Entre um plim plim e outro, os pimpolhos se entopem de assassinatos
em série, estupros, crueldade e vingança... mas pelo menos não
incomodam a mamãe na cozinha ou o papai, no trabalho. Agora, já não
enchem o saco. Estão se enchendo do saber...
E como sabem. Sabem amaldiçoar, fazer um trabalho de bruxaria para
matar alguém, renegar a Jesus, vingarem-se.
Para os educadores a novidade é saudada como maravilhosa. Dizem que
esses livros de bruxaria levaram as crianças a deixar a
passividade. Agora estão lendo.
Realmente as crianças deixaram a passividade. Antes, pela tevê, os
peraltinhas apenas viam outros matando, roubando, vingando-se e se
prostituindo. Receberam lições inesquecíveis. Agora, com o manual
de bruxaria, podem praticá-las.
Basta um pacto satânico. Jesus, aprenderam, era um fraco, morreu.
Mas o Diabo sim, tem poder e passa esta força a qualquer
interessado. Além disso estão agradando papai e mamãe, afinal
nunca leram tanto em toda sua longa e experiente vida de 8 ou 12
anos...
SUCESSO NO MUNDO TODO
A série de livros de bruxaria escrita por Joanne Kathleen Rowling
é sucesso no mundo todo e já é responsável pelo aumento no número
de adeptos do satanismo. Nos últimos quatro anos, desde que o
primeiro livro de Harry Potter surgiu nas livrarias americanas, o número
de pessoas adeptadas ou simpatizantes do satanismo cresceu 14 mil
por cento, só nos Estados Unidos.
Em 1995, os EUA tinham cerca de 100 mil adultos envolvidos com
seitas e igrejas satânicas.
Hoje, estima-se que a igreja satânica tenha 14 milhões de
seguidores entre crianças e jovens, nos EUA. No Brasil, a principal
igreja satânica está sediada em Vitória, no Espírito Santo,
cidade aliás campeã em homicídios no País. Para os satanistas,
que não escondem a predileção por crianças e jovens virgens, de
ambos os sexos, para iniciá-las em orgias e sacrifícios diabólicos,
receber uma adesão infantil e inocente como essa é um presente do
inferno.
MAIS DE 100 MILHÕES DE EXEMPLARES
A série Harry Potter já foi vendida em 42 países, traduzida para
35 idiomas e ultrapassou a marca de 100 milhões de exemplares
vendidos. Na maioria dos países, os livros de Harry Potter estão
em primeiro lugar de vendas. A editora Rocco tem os direitos de
publicar os livros no Brasil.
O personagem foi criado por uma escritora britânica de 34 anos,
Joanne Kathleen Rowling. A autora se descreve, quando criança,
usando óculos, tímida e insegura, porém, bastante estudiosa. Na
infância tinha um vizinho que gostava de brincar, chamado Potter.
Eles costumavam brincar de ser bruxos. Joanne terminou seus estudos,
casou-se, mas logo depois se divorciou. Quando sua mãe morreu, ela
entrou em depressão. Foi nessa hora que começou a escrever a série
Harry Potter. A autora, fazendo um apanhado de seus escritos,
afirma: ´O tema que percorre os sete livros é a luta entre o bem e
o mal´.
As aventuras de Harry Potter têm tirado muitas crianças da televisão
e dos vídeo-games e os feito ingressar na leitura das trevas. Ao
trocaram seis por meia dúzia estão na realidade, trocando tudo por
666, número que, segundo a Bíblia é marca registrada de Satanás.
As escolas têm, até mesmo, incluído no seu currículo, a leitura
dos livros da série como auxílio nas aulas de gramática.
Entretanto, alguns pais, numa escola em Durham, perto de Toronto,
Canadá, não queriam deixar que os livros de Rowling fossem lidos
em sala de aula para seus filhos, pois alegavam que os livros
traziam glorificação à feitiçaria. Depois de vários debates, o
conselho da escola decidiu pela permissão da leitura.
No Brasil, muitos colégios estão adotando os livros. Segundo dados
levantados pelo Jornal Hoje, a Igreja em Ação
(www.jornalhoje.com.br), diretores e professores de colégios
paulistas particulares e públicos são favoráveis à idéia de
indicar livros de Rowling aos alunos. Três grandes colégios
particulares de Campinas, SP, já o fizeram. E pretendem adotar a série
´didática´ que está no prelo e deve sair nos próximos meses no
Brasil.
Professor de feitiços
Harry Potter é um garoto que, quando pequeno, enfrentou o mais
poderoso bruxo, Lord Voldemort. Quando conseguiu vencê-lo, alguns
poderes foram transferidos misteriosamente a ele. A partir daí,
Potter vai para a escola de bruxos onde os personagens são: um
professor de defesa contra artes das trevas, um professor de feitiços,
um professor fantasma, um poltergeist, entre outros.
O material para os alunos da segunda série da escola de Harry
Potter são: ´O Livro padrão de feitiços, 2ª série; Como
dominar um espírito agourento, Como se divertir com vampiros, Férias
com bruxas malvadas, (...) Excursões com vampiros, Passeios com
lobisomens...´.
Comentando sobre os livros de Harry Potter, uma das crianças da
foto no alto da página, o americano Ashley Daniels disse: ´Eu
acreditava no que eles ensinavam na Escola Dominical, mas os livros
de Harry Potter me mostraram que a magia é real, algo que eu posso
aprender e usar agora mesmo, e que a Bíblia não é nada mais que
apenas mentiras enfadonhas´. Junto a ela, aparecem Craig Nowell, de
10 anos, e Jessica Easley, de apenas 6. ´Os livros de Harry Potter
são bons porque ensinam como você pode usar a mágica para
controlar pessoas e se vingar de seus inimigos´, relata Craig.
´Hermione é meu favorito porque é inteligente e tem um gato´,
diz Jessica, referindo-se a um dos personagens do livro. Mas
completa: ´Jesus morreu porque foi um fraco e estúpido´. Outro
leitor da série, Houston Winters, de 11 anos, é mais enfático: ´Os
livros de Harry Potter são incríveis. Quando eu crescer, vou
aprender necromancia e invocar os maiores demônios na Terra´
Expressões como essas e outras mais fortes têm sido ditas por
crianças que preferem esses livros ao ensino aprendido na Bíblia,
diz o pastor licenciado de Brasília Sóstenes Valverde (nome fictício).
Ele informa que um jornal americano de notícias e sátiras,
principalmente contra o cristianismo, chamado ´The Onion´,
concluiu que os livros do menino estimulam a prática do satanismo.
Impedidos por seus pais de freqüentarem cultos satânicos, alguns
adolescentes têm criado suas próprias instituições. Para se
tornar membro de um grupo desses é preciso amaldiçoar o nome de
Deus. Segundo a igreja satânica, há entre crianças e jovens, 14
milhões de seguidores no mundo. Há pouco mais de 5 anos não havia
mais que 100 mil adeptos, adultos na grande maioria.
Demônio de três cabeças
Harry é um feiticeiro de 13 anos de idade, que blasfema abertamente
contra Deus e contra Jesus, promovendo a feitiçaria seguida de
vingança contra qualquer um daqueles que o desaponte. O livro lhe
da exemplos de como fazer rituais com palavras de magia e invocação
de poderes demoníacos, e vem ate mesmo com a bibliografia completa
das obras citadas. Mostra até como invocar ´CEREBUS´ demônio a
quem chamam de cão de caça, de três cabeças, habitante do
inferno...
A editora Rocco, que publica os livros da série Harry Potter no
Brasil, deve lançar agora, no segundo semestre de 2001, dois livros
´didáticos´ usados pelo menino-mago na escola Hogwarts: ´Quadribol
Através dos Tempos´ é um manual de regras sobre bruxaria. ´Feras
Fantásticas e seu Habitat´ é mencionado na série como um dos
livros didáticos dos alunos do primeiro ano da escola Hogwarts.
Ambos foram escritos por J.K.Rowling.
Livros da série , todos escritos por J. K. Rowling: Harry
Potter e a Pedra Filosofal; Harry Potter e a Câmara Secreta; Harry
Potter e o Prisioneiro de Azkaban!; Harry Potter e o Cálice de
Fogo;
Direto do inferno
HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO
Na quarta história da série, os fãs de Harry Potter conhecem duas
novas escolas de magia da Europa: Beauxbaton, na França, e
Durmstang, nos Países Baixos.
Os representantes destas escolas estão em Hogwarts (escola onde
Harry estuda) para participar de um campeonato anual, onde só os
alunos do último ano podem participar e são escolhidos pelo Cálice
de Fogo. Mas para surpresa de todos, Harry Potter é um dos
escolhidos, mesmo não sendo aluno do último ano.
Para respeitar a decisão do Cálice, o jovem Harry deverá competir
em nome de Hogwarts em um campeonato onde tudo pode acontecer.
Trecho
A CASA DOS RIDDLE – Pequeno trecho do capítulo 1 da edição
distribuída em Portugal.
‘...Começou a fazer uns ruídos que Frank nunca ouvira antes.
Assobiava e bufava sem respirar. Frank pensou que ele estava a ter
um ataque ou uma apoplexia.
Foi então que Frank ouviu os movimentos atrás de si, no corredor
escuro, e ficou paralisado pelo medo.
Alguma coisa se movia ao longo do chão do corredor e só quando se
aproximou da réstia iluminada é que Frank percebeu, com um arrepio
de verdadeiro horror, que se tratava de uma gigantesca serpente, que
tinha pelo menos quatro metros de comprimento. Transfigurado, Frank
ficou a olhar para ela, enquanto o seu corpo sinuoso abriu um
carreiro enorme e curvo no pó do chão, aproximando-se mais e mais.
Que fazer? A única maneira de escapar era entrando na sala onde
estavam sentados dois homens a engendrar um crime, mas, se não o
fizesse, a serpente matá-lo-ia na certa.
Contudo, antes de ter tido tempo de tomar qualquer decisão, a
serpente chegara junto dele e, milagrosamente, seguira em frente.
Respondia ao assobio e aos silvos da voz fria do outro lado da porta
e, em poucos segundos, a ponta da sua cauda, com motivos de
diamante, desaparecia pela frincha entreaberta.
A testa de Frank estava coberta de suor e a mão que segurava o bordão
tremia. Dentro da sala, a voz fria continuava o seu assobio e Frank
foi assaltado por uma idéia impossível e bizarra… Aquele homem
conseguia falar com serpentes.
O homem não compreendia nada do que se passava. O que mais desejava
naquele momento era poder voltar à sua cama com a sua botija de água
quente. O problema é que as pernas pareciam não querer mexer-se.
Enquanto ali ficou, tremendo, tentando recuperar o domínio do seu
corpo, a voz fria voltou novamente a falar.
- A Nagini tem notícias interessantes, Wormtail - disse.
- A sério, meu senhor? - respondeu Wormtail.
- Sim, sim - tornou a voz. - Segundo ela um velho Muggle está
parado atrás da porta ouvindo tudo o que estamos dizendo.
Frank não teve tempo de se esconder. Ouviu passos e, em seguida, a
porta da sala foi aberta de par em par.
Um homenzinho quase calvo, de cabelos ralos e cinzentos, nariz
pontiagudo e uns olhos pequeninos e aquosos, estava na sua frente,
com um misto de medo e alarme no rosto.
- Convida-o a entrar, Wormtail. Onde estão os teus modos?
A voz fria vinha do antigo cadeirão que se encontrava em frente do
fogo, mas Frank não via o orador. A serpente, essa, estava
enroscada no tapete putrefato, como o sinistro travesti de um
cachorro de estimação.
Wormtail fez um sinal a Frank para que entrasse na sala. Apesar de
profundamente abalado, o jardineiro agarrou-se com força ao bordão
e abandonou o limiar, coxeando.
O fogo era a única fonte de luz na divisão. Lançava sombras que
pareciam aranhas gigantescas sobre as paredes. Frank olhou para as
costas da cadeira de braços. O homem que lá estava devia ser ainda
mais pequeno do que o seu servo, pois Frank não conseguia ver-lhe a
nuca. - Ouviste tudo, Muggle? - disse a voz fria.
- Do que foi que me chamou? - perguntou Frank em tom de desafio,
visto que agora que estava lá dentro, agora que chegara o momento
de agir, sentia-se com mais coragem. Fora sempre assim durante a
guerra.
- Chamei-te Muggle - disse calmamente a voz. - Significa que não és
um feiticeiro.
- Não sei o que quer dizer com feiticeiro - respondeu Frank com a
voz cada vez mais segura. - Só sei que ouvi o suficiente esta noite
para interessar a polícia. O senhor matou uma pessoa e planeja
matar outra. E deixe que lhe diga - acrescentou com uma súbita
inspiração - a minha mulher sabe que eu estou aqui em cima e se eu
não voltar
- Tu não tens mulher - disse a voz muito calmamente.
- Ninguém sabe que estás aqui. Não disseste a ninguém que aqui
vinhas. Não mintas a Lord Voldemort, Muggle, porque ele sabe, ele
sabe sempre…
- Ah é? - disse Frank asperamente. - Lorde, é isso? Pois olhe, não
me parece que tenha lá muito boas maneiras, My Lord. Dê uma volta
e enfrente-me como um homem. Porque está de costas para mim?
- Mas eu não sou um homem, Muggle - respondeu a voz fria, apenas
audível sobre o crepitar da madeira. - Contudo, sou muito mais do
que um homem… porque não? Eu enfrento-te, sim… Wormtail, vem
voltar a minha cadeira.
O criado soltou um gemido.
- Ouviste, Wormtail.
Lentamente, com o rosto contraído, como se a última coisa que
quisesse fazer na vida fosse aproximar-se do seu amo e do tapete
onde se encontrava a serpente, o homenzinho deu alguns passos e começou
a virar a cadeira. A serpente ergueu a cabeça feia e triangular e
sibilou levemente quando os pés da cadeira agarraram o seu tapete.
Em seguida, a cadeira estava de frente para Frank e ele podia
finalmente ver o que lá estava sentado. O bordão caiu no solo com
grande estrondo. Frank abriu a boca e soltou um grito. Gritou tão
alto que nem ouviu as palavras que a coisa da cadeira disse enquanto
erguia a varinha. Houve um clarão de luz verde, um ruído brusco e
Frank Bryce não resistiu. Quando o seu corpo tocou no chão já
estava morto.
A duzentas milhas de distância, o rapaz de nome Harry Potter
acordou sobressaltado. (...) |
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